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Artigos para Pacientes

Conjuntivites: Aspectos Essenciais para a Saúde Ocular

A conjuntivite, uma condição oftalmológica comum, manifesta-se como a inflamação da conjuntiva, membrana transparente que reveste a superfície ocular e a face interna das pálpebras. Esta patologia pode ser classificada em infecciosa e não infecciosa, sendo esta última, também denominada conjuntivite atípica, um grupo complexo que engloba as conjuntivites cicatriciais.

As conjuntivites cicatriciais representam um subconjunto relevante das não infecciosas, frequentemente associadas a doenças autoimunes, como a doença do enxerto contra hospedeiro (GVHD), sequelas de queimaduras químicas e a síndrome de Stevens-Johnson. Nestes casos, a inflamação crônica da conjuntiva pode acarretar alterações significativas na superfície ocular.

Entretanto, a forma mais prevalente de conjuntivite é a infecciosa, subdividida principalmente em viral e bacteriana.

Conjuntivite Viral

A conjuntivite viral, frequentemente referida como a "gripe do olho", é causada principalmente pelo adenovírus, o mesmo agente etiológico de diversas infecções respiratórias. Caracteriza-se clinicamente por hiperemia ocular, sensação de corpo estranho e, ao exame oftalmológico, pela presença de folículos na conjuntiva tarsal.

Esta condição é altamente contagiosa e geralmente apresenta um curso de 5 a 7 dias até a resolução dos sintomas. Nos primeiros dias, a intensidade da hiperemia e o desconforto ocular são mais acentuados. Uma complicação possível é a formação de pseudomembranas, estruturas que exigem remoção pelo oftalmologista, um procedimento que pode ser repetido a cada 48 a 72 horas devido à sua recorrência.

Em casos de conjuntivite viral intensa, podem surgir infiltrados corneanos adenovirais, um risco aumentado pelo uso inadequado de corticosteroides tópicos na fase aguda da infecção. Embora proporcionem alívio sintomático inicial, os corticosteroides podem exacerbar a replicação viral, predispondo ao desenvolvimento desses infiltrados de difícil tratamento, que podem comprometer a quantidade e a qualidade da visão por um período prolongado.

Conjuntivite Bacteriana

A conjuntivite bacteriana distingue-se pela secreção purulenta abundante e também apresenta alta transmissibilidade. Diferentemente da forma viral, a conjuntivite bacteriana geralmente responde de forma eficaz à antibioticoterapia tópica.

Contudo, algumas bactérias possuem a capacidade de penetrar o epitélio corneano íntegro, resultando em úlceras de córnea. Em particular, a Neisseria gonorrhoeae representa uma emergência oftalmológica, podendo levar à perfuração ocular em poucas horas.

Diante de secreção ocular significativa, é imprescindível a avaliação oftalmológica imediata e o início do tratamento adequado. Em casos de suspeita de infecção por bactérias mais virulentas, a internação hospitalar para administração de antibioticoterapia intravenosa pode ser necessária.

Em caso de dúvidas ou suspeita de conjuntivite, recomenda-se a consulta com um médico oftalmologista para diagnóstico preciso e manejo apropriado.

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Sobre a autora

Olá, meu nome é Patrícia Zacharias Serapicos, médica oftalmologista da clínica CCOJardins em São Paulo, especialista em doenças da córnea, cirurgia refrativa, plástica ocular e cirurgia de catarata.

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